Essa tristeza é uma coisa horrível. Sem motivo aparente a gente se engasga com essa coisa dura e amarga no meio peito, uma angústia crônica. Dá vontade de explodir as janelas de casa. Dá impressão que tamanha dor tem força o suficiente pra trazer o muro abaixo e arrebentar a garganta mas ser capaz de fazer o mundo ouvir. Só que essa dor não é nada. Nada além de uma âncora lodosa em volta das minhas pernas, me levando sempre para o fundo.
Eu grito socorro, socorro! A minha cabeça está girando e essas paredes estão manchadas de sangue poético. Isso saiu do meu corpo. Meu Deus. O meu quarto é quase um hospício. E todos esses livros, eles não podem me ver nem me salvar. Só mais uma espécie de muleta.
Eu poderia abandonar o mundo dos sonhos, esse universo fantasmagórico que teci diariamente para a minha sobrevivência, mas não estou curada e não tenho medo nem tempo para esperar que cicatrizes se fechem para que outras se abram.
Eu estou triste. Isso é um saco.
Eu estou louca. Isso é um dom.
Eu te encontrei. Isso é uma desgraça.
Eu me devorei e me perdi. Isso é uma dádiva.
A nota mental é que o desvio às vezes leva à delírios. E o curioso é que o delírio me traduz em espelho. Fugir é tão banal. Cedo ou tarde, deliramos.
Quem nunca é digno de pena.

— Tristeza domingueira, Fernanda Guedes. (via umafestapromeucancer)
fire-drake:

 

I had nothing to offer anybody except my own confusion.

— Jack Kerouac (via fra-gility)
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